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SORTELHA

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 20/08/2010

Castelo roqueiro e casario de Sortelha

Sortelha é uma freguesia portuguesa do concelho do Sabugal, com 43,27 km² de área e 579 habitantes (2001). Densidade: 13,4 hab/km².

Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855. Era constituída pelas freguesias de Águas Belas, Urgueira, Bendada, Casteleiro, Malcata, Moita, Pena Lobo, Santo Estêvão, Sortelha e Valverdinho. Tinha, em 1801, 4 096 habitantes em 237 km². Após as reformas administrativas do início do liberalismo foram-lhe anexadas as freguesias de Lomba e Pousafoles do Bispo. Tinha, em 1849, 6 022 habitantes em 261 km².

É hoje uma das aldeias históricas de Portugal.

O Castelo de Sortelha localiza-se na vila de mesmo nome, concelho do Sabugal, distrito da Guarda, em Portugal.

Erguido sobre um maciço granítico em posição dominante sobre o vale de Riba-Côa, área de passagem entre a Meseta Ibérica e a depressão da Cova da Beira, integra-se o conjunto desta que é considerada uma das melhor conservadas Aldeias Históricas da Beira Interior.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do local remonta à pré-história, possívelmente a um castro Neolítico. Atraídos pela riqueza mineral da região e pela posição estratégica do local, este teria sido sucessivamente ocupado por Romanos, Visigodos e Muçulmanos.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Pena Sortelha, como então era chamada, constituiu-se em defesa da região fronteiriça, disputada entre Portugal e Castela. A partir de 1187, D. Sancho I (1185-1211) tomou medidas para repovoar o lugar, e foi o seu neto homónimo, D. Sancho II que concedeu foral à vila (1228), época provável da edificação do castelo. A cerca da vila seria beneficiada por D. Dinis no século XIII que, a partir da assinatura do Tratado de Alcanises (1297), fixou as fronteiras para além das terras de Riba-Côa. No século seguinte, foi erguida uma nova cerca por iniciativa de D. Fernando.

No século XV sabe-se que o alcaide do castelo era Manuel Sardinha, sucedendo-lhe Pêro Zuzarte.

Em 1510, D. Manuel I (1495-1521) renovou o foral da Vila, mencionando que os seus habitantes não estavam obrigados a dar hospedaria aos grandes e pequenos do reino, se essa fosse a vontade do povo de Sortelha. Esse soberano também iniciou uma campanha de obras no castelo, dentre as quais subsiste a emblemática manuelina sobre a porta. Em 1522 Garcia Zuzarte tornou-se alcaide-mor. Nesse século ainda, o nobre D. Luís da Silveira, guarda-mor de D. Manuel I e de D. João III (1521-1557), adquiriu o castelo, tornando-se seu alcaide, conferindo-lhe D. João III o título de Conde de Sortelha.

 Da Guerra da Restauração aos nossos dias

Com a Restauração da independência, após 1640, foi iniciada a adaptação da estrutura defensiva às novas técnicas militares, adaptando-a ao fogo da artilharia. Nesta fase, o Castelo esteve envolvido em diversas operações militares contra forças de Castela em acção na fronteira, o mesmo se repetindo no século XVIII contra o mesmo inimigo e, posteriormente, no início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, contra as forças francesas de Napoleão.

Desguarnecido posteriormente, quando a sede do Conselho foi extinta em 1855 tanto a vila quanto o seu castelo entraram em processo de decadência.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910. Posteriormente sofreu intervenções de conservação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN)

Características

O Castelo (ou cidadela), no estilo românico e gótico, com intervenções manuelinas, encontra-se na cota de 760 metros acima do nível do mar, interrompendo a cerca da vila a Sudeste e desenvolvendo-se para o seu exterior. Acedido por uma escadaria, os seus muros apresentam traçado ovalado irregular percorridos no topo por adarve com remate biselado e seteiras cruciformes. São rasgados por duas portas:

  • a Porta do Castelo, a Nordeste, em arco pleno, com ombreiras parcialmente entalhadas no afloramento rochoso, é encimada por balcão misulado com mata-cães (conhecido como “Varanda de Pilatos”) ao lado do qual se inscrevem as armas de D. Manuel I;
  • a Porta Falsa do Castelo, a Sul, com lintel reto e umbrais oblíquos.

No interior da praça de armas localiza-se a cisterna de planta quadrangular e, na parte mais elevada, ao centro, a Torre de Menagem, também de planta quadrada, com um só pavimento. Esta apresenta embasamento escalonado, com uma porta rasgada a Sul, de lintel reto com umbrais oblíquos encimada por arco de descarga de volta perfeita, assim como três seteiras nos demais alçados. É encimada por merlões retangulares com coroamento piramidal.

A cerca da vila apresenta um traçado ovalado irregular, engastada em afloramentos rochosos de granito (inacessível pela vertente Sul), desprovida de merlões. Esta cerca é rasgada por quatro portas:

  • a Porta da Vila ou Porta do Concelho, a Leste, em arco quebrado e coberta com abóbada concordante, acedendo o chamado largo do Curro, um terreiro em torno do qual se dispõe a malha urbana da vila medieval, acompanhando as curvas de nível do perfil topográfico da escarpa;
  • a Porta Nova ou Porta Nova da Vila, a Oeste, em arco pleno com abóbada de berço, exibindo ainda as medidas padrão da vara e do côvado;
  • a Porta Falsa, a Nordeste, em arco quebrado, entaipada na reforma seiscentista; e
  • outra Porta Falsa, a Sudeste, junto ao Castelo, destacando-se pela presença do arco ultrapassado no lado exterior e arco pleno no lado interior.

O perímetro defensivo urbano integra a chamada Torre do Facho, localizada a Nordeste, muito perto da Porta Falsa. Esta apresenta planta quadrada, com embasamento escalonado e desprovida de vãos. No cunhal Sudeste, junto à Porta da Vila, eleva-se sobre o adarve um pequeno torreão ou vigia, de planta circular e coroamento cônico. Nesta torre foi erguido um marco geodésico, assinalando o ponto mais elevado da região, com a cota de 773 metros acima do nível do mar.

Fonte: wikipédia, a enciclopédia livre

aldeiashistoricasdeportugal.com

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MARIALVA

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 06/08/2010

Marialva - aldeia e castelo

Casario de Marialva

  http://www.marialva.pt/

Marialva é uma freguesia portuguesa do concelho da Mêda, com 19,15 km² de área e 271 habitantes (2001). Densidade: 14,2 hab/km².

Designada Civitas Aravorum à época romana, terá sido reconstruída no tempo de Adriano e Trajano, tendo sido ponto de confluência e cruzamento de vias, entre as quais a Via Imperial da Guarda a Numão.

Os Godos instalaram-se na região alterando o nome para S. Justo, sucedendo-lhes a ocupação árabe e o seu novo nome, Malva, reconquistada por D. Fernando Magno de Leão, em 1063, e novamente rebaptizada para Marialva.

D. Afonso Henriques mandou-a repovoar, concedendo-lhe o primeiro foral em 1179. Conhece-se novo repovoamento durante o reinado de D. Sancho I, no século XIII, altura em que o povoado terá extravasado além muros, formando-se assim o Arrabalde.

Durante o reinado de D. Dinis foi criada a Feira (1286) e recebe Foral Novo (1512) já em tempos de D. Manuel. Ambos procederam a obras no castelo.

Possivelmente derivada à localização fronteiriça – e estimulada pela Feira, ao 15ª dia de cada mês, que concedia diversos privilégios aos moradores e feirantes – assistiu-se no século XII à fixação de judeus.

Foi vila e sede de concelho entre 1157 e 1855. Era constituída pelas freguesias de Aldeia Rica, Barreira, Carvalhal, Coriscada, Gateira, Marialva (Santiago), Marialva (São Pedro), Pai Penela, Rabaçal e Vale de Ladrões. Tinha, em 1801, 2 919 habitantes.

Após as reformas administrativas do início do liberalismo foram-lhe anexadas as freguesias de Chãs e Santa Comba. Tinha, em 1849, 4 042 habitantes e ocupava uma superfície de 166 km².

Fonte: wikipédia, a enciclopédia livre

aldeiashistoricasdeportugal.com

JÁ GIL VICENTE O DIZIA E O PGR O CONFIRMA

Posted in Política e Sociedade: Artigos de Opinião by Manuel Coimbra on 06/08/2010

            A decisão de mandar destruir as escutas telefónicas do caso Face Oculta e agora de mandar arquivar o processo Freeport, sem que o primeiro-ministro respondesse ao inquérito que lhe estava destinado, por falta de tempo, segundo os procuradores do processo (pois não é que o Procurador-Geral da República decidiu mandar encerrar o processo até 25 de Julho), vêm confirmar aquilo que os cidadãos sabem sobre a Justiça praticada em Portugal: há uma “justiça” para os ricos e os influentes e outra para os pobres.

            Há magistrados no Ministério Público e no Supremo Tribunal de Justiça, nomeadamente o Procurador-Geral, que pecam por falta de isenção e de imparcialidade na aplicação da justiça, usando os poderes que têm para interferirem na investigação e na autonomia dos juízes de 1ª instância (como aconteceu mais nitidamente no caso Face Oculta).

            A corrupção – o tráfico de influências entre o poder executivo e o judicial, a troco de quê?, permito-me perguntar – está instalada nas altas instâncias da magistratura, mal que já era criticado por Gil Vicente no Auto da Barca do Inferno através da personagem do Corregedor (juiz presidente de um círculo judicial) quando o Diabo o trata ironicamente por “Santo descorregedor” (gracejo – antónimo de corregedor para mostrar que o juiz não administrava a justiça) e lhe pergunta “Quando éreis ouvidor nonne accepistis rapina? (não recebestes rapina, roubos?).

            Ora, o próprio Procurador- Geral da República, Pinto Monteiro, confirma a existência de relações promíscuas entre o poder executivo e o poder judicial ao ter afirmado, com descaramento, na sequência do processo Face Oculta, que essas relações eram um “vício antigo”, como se este argumento fosse justificação para a corrupção existente. Não terá ele a noção que essas relações são inconstitucionais, na medida em que a Constituição da República Portuguesa preconiza a separação entre os poderes legislativo, executivo e judicial? Com que direito é que um magistrado, ou seja quem for, se coloca acima da lei fundamental do seu país? Ou é prepotente, ou é tirano ou é corrupto.

            Não tenhamos a menor dúvida que o Procurador-Geral seria o actor adequado para representar o papel de Corregedor, se o Auto da Barca do Inferno fosse encenado no palco da política nacional!

Manuel Coimbra

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