PENSAR COM OS MEUS BOTÕES

PIODÃO

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 11/12/2010

                                                                    

Piodão - Serra do Açor

Piodão

               

 

 

 

 

Piódão é uma freguesia portuguesa do concelho de Arganil, com 36,36 km² de área e 224 habitantes (2001). Densidade: 6,2 hab/km². A freguesia inclui as seguintes aldeias e quintas: Piódão, Malhada Chã, Chãs d’Égua, Tojo, Fórnea, Foz d`Égua, Barreiros, Covita, Torno, Casal Cimeiro e Casal Fundeiro.

A aldeia, de Piódão, situa-se numa encosta da Serra do Açor. As habitações possuem as tradicionais paredes de xisto, tecto coberto com lajes e portas e janelas de madeira pintada de azul. O aspecto que a luz artificial lhe confere, durante a noite, conjugado pela disposição das casas fez com que recebesse a denominação de “Aldeia Presépio”. Os habitantes dedicam-se, sobretudo, à agricultura (milho, batata, feijão, vinha), à criação de gado (ovelhas e cabras) e em alguns casos à apicultura.

A flora é em grande parte constituída por castanheiros, oliveiras, pinheiros, urzes e giestas. A fauna compõe-se, sobretudo, de coelhos, lebres, javalis, raposas, doninhas, fuinhas, águias, açores, corvos, gaios, perdizes e pequenos roedores.

Actualmente, a desertificação das zonas do interior, afecta praticamente todas as povoações desta freguesia. As populações mais jovens emigraram para o estrangeiro ou para as zonas litorais à procura de melhores condições de vida, regressam às suas origens, sobretudo, durante as épocas festivas para reviver o passado e se reencontrarem com os seus congéneres.

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

aldeiashistoricasdeportugal.com

http://www.jf-coja.pt/index.php?progoption=seccao&do=show&secid=25

 

Tagged with: ,

VALE DO CÔA – ARTE RUPESTRE – CASTELO MELHOR

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 06/12/2010

Bovídeo - Pinturas Rupestres de Penascosa - Castelo Melhor

     

Manada de cavalos?! - Penascosa - Castelo Melhor

 http://www.cm-fozcoa.pt/

História
No termo da freguesia de Castelo Melhor existem já inventariados sítios ou apenas vestígios pré-históricos, fatalmente ligados ao rio Côa e aos vales que albergam pequenos ribeiros, tributários do mesmo. Na Penascosa, limite de Almendra, a que se acede pela localidade de Castelo Melhor, existe um importante núcleo de gravuras rupestres do Paleolítico Superior (bovídeos, cavalos, caprídeos). Nas elevações que lhe são contíguas, adivinha-se uma ocupaçâo de períodos (Calcolítico, Bronze…). Igualmente nos lugares de Meijapão e Ribeiro do Poio, na sua anexa do Orgal, encontram-se vestígios de gravuras de Idade do Ferro, já numa cota mais elevada a lembrar-nos a necessidade de investigar sistematicamente toda aquela área. Ainda no sítio da Penascosa, o início de uma via (com calçada) que rumava a Almendra. Tratar-se-á de uma via romana, aproveitada até muito recentemente.

No Orgal, vestígios de uma Villa Romana. Alguns indícios levam-nos a supor ter sido esta terra de Castelo Melhor abrigo de Visigodos e Árabes. No morro do castelo estão enterrados mistérios que urge desvendar. Escavações arqueológicas poderão trazer à luz do dia não só vestígios pré-históricos como romanos, árabes e visigóticos. Na Rua dos Namorados, encravadas num muro de propriedade, algumas pedras gravadas com motivos fitomórficos e geométricos, poderão muito bem levar-nos até épocas muito recuadas, possivelmente coevas dos reinos Suevo ou Visigótico.

Mas passemos a algumas nótulas documentadas:Encontra-se esta freguesia na região ribacudana e como tal a sua história confunde-se com a de outras da mesma região.

Curiosamente, o próprio nome, ao compor-se de uma forma qualificativa, sugere-nos que a sua fundação terá sido posterior à de Castelo Bom. O seu território pertenceu ao longo do século XIII ao reino de Leão, passando apenas a fazer parte de Portugal após o Tratado de Alcanices. Os seus foros, datados de 1209, recebeu-os de Afonso IX de Leão. A crítica histórica tem vindo, no entanto, a pôr em causa esta data, argumentando que se está perante uma cópia dos de Castelo Rodrigo. Seja como for, recordemos que era prática corrente os monarcas darem a escolher aos povos o foral existente que quisessem. Atendendo a tudo isto, considera-se hoje que a fundação de Castelo Melhor ocorreu entre 1230 e 1298. De facto esta última data é a primeira referência a Castelo Melhor a merecer-nos confiança. Trata-se da confirmação dos seus foros por D. Dinis, em 12 de Junho de 1298.

A data da confirmação dos foros por D. Dinis deve ser no entanto apenas entendida como limite documental, uma vez que se sabe que Castelo Melhor passou à Coroa portuguesa, em 1292, como dote da Rainha D. Isabel, tendo na altura D. Dinis mandado reparar o castelo e repovoá-lo. Nos inícios do século seguinte, em 1321, num Rol das Igrejas, é apresentada como sendo uma simples aldeia de Castelo Rodrigo. Embora não se conheça qualquer documento a indicar esta anexação, a hipótese é plausível.

O facto de Afonso V,em 1449, confirmar a sua qualidade de vila, associando-a a Almendra, não deixa de revelar, na opinião de Duarte Nogueira, a sua insegurança face a Castelo Rodrigo. A partir de meados do século XV, a sua história confunde-se com a de Almendra, com a qual aliás forma um concelho que adopta, curiosamente, o nome destas duas freguesias. No reinado de D. João III possuía 32 moradores, como atesta o recenseamento de 1527. Esta freguesia tem vindo desde esta época a registar um crescimento populacional contínuo, com excepção das últimas décadas. (Adaptado da obra “Por Terras do concelho de Foz Côa – Susídios para a sua História – Estudo e Inventário do seu Património”, de A.N. Sá Coixão e António A. R. Trabulo, editado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, 2ª edição – 1999).

  

Bibliografia

António N. Sá Coixão e António R. Trabulo, Por Terras do concelho de Foz Côa – Susídios para a sua História – Estudo e Inventário do seu Património, Vila Nova de Foz Côa, Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, 2ª edição – 1999.

http://www1.ci.uc.pt/fozcoa/gravuras.html#oque

  No vale do Côa existem centenas, talvez milhares de gravuras do período Paleolítico. O seu estudo está a ser realizado por uma equipa de arqueólogos coordenada por Mário Varela Gomes e António Martinho Baptista e demorará anos, talvez décadas. O que se segue baseia-se nos estudos científicos já publicados e representa o estado dos conhecimentos em Março de 1995. Encontrará neste texto a resposta às perguntas mais elementares acerca das gravuras propriamente ditas: o que são, onde se encontram, porquê são tão importantes e quando foram feitas?
As gravuras têm como suporte superfícies verticais de xisto, com exposição preferencial a nascente. A dimensão das gravuras oscila entre 15 cm e 180 cm, embora predominem as de 40-50 cm de extensão. As técnicas de gravação usadas são a picotagem e o abrasão, que por vezes coexistem, com o abrasão regularizando a picotagem. Os traços são largos, embora sejam por vezes acompanhados de uma grande quantidade de finos traços, que serviram de esboço ou complementavam os anteriores. Noutros casos, estes traços finos desenham formas dificilmente perceptíveis. Existem também gravuras preenchidas com traços múltiplos.As gravuras representam essencialmente figuras animalistas, embora se conheça uma representação humana e outra abstracta. Em Março de 95, ainda não se conheciam representações de signos, característicos da arte rupestre paleolítica. Os animais mais representados são os cavalos e os bovídeos (auroques). Exclusivos em certos núcleos, eles podem também coexistir com caprídeos e cervídeos. Os animais aparecem isolados ou em associação, constituindo autênticos painéis. As representações de animais podem sobrepor-se mais ou menos densamente, como podem também estar bem individualizadas.

Por que é que as gravuras são tão importantes?

A imprensa divulgou abundantemente a importância patrimonial e científica das gravuras de Foz Côa. Contudo foi pouco explicada a razão de ser dessa importância.O seu valor patrimonial é fácil de explicar. Até à década de 80, a arte do Paleolítico Superior só estava representada no território nacional pelas pinturas da gruta do Escoural (Montemor-o-Novo). Deverá esperar-se por 1981, para que seja identificada a primeira estação de arte rupestre paleolítica ao ar livre, em Mazouco (Freixo de Espada-à-Cinta), a cerca de 25 km do vale do Côa. Trata-se de uma gravura representando um cavalo com cerca de 62 cm de comprimento. O complexo do vale do Côa é, portanto, a terceira estação de arte rupestre paleolítica conhecida em Portugal. Não estamos perante uma rocha com uma gravura isolada, mas sim centenas, talvez milhares, de gravuras distribuídas ao longo de um vale.

280 grutas e só 5 estações ao ar livre

 A importância do achado transcende o território nacional, porque se é verdade que conhecemos hoje cerca de 280 grutas com pinturas paleolíticas na Europa Ocidental, também é verdade que só foram identificadas até hoje quatro outras estações de arte rupestre paleolítica ao ar livre no mundo inteiro: Mazouco, que já citámos, Fornols-Haut (Campôme, França), Domingo Garcia (Segóvia, Espanha) e Siega Verde (Ciudad Rodrigo, Espanha), nas margens do Rio Águeda, a poucas dezenas de quilómetros do Vale do Côa. O que existe no Côa não é, portanto, somente raro, é, de facto, quase único.

Explicar o valor científico das gravuras obriga-nos a fazer um rápido apanhado de mais de um século de investigação da arte paleolítica. Quando nasce a Pré-história como disciplina científica no século passado, a imagem que se tem do homem pré-histórico é a de um selvagem, vivendo próximo do estado “animal”. Desde meados do século passado, foram encontradas em camadas arqueológicas datadas do Paleolítico objectos com interesse artístico: estatuetas femininas e representando animais, gravuras sobre plaquinhas, de pedra ou osso, objectos de carácter utilitário decorados… De “semianimais”, passou-se a considerar os homens do Paleolítico como seres capazes de produzir algo de estético. É em 1879 que Marcelino de Sautuola descobre as pinturas da Gruta de Altamira, em Espanha, atribuindo-as ao período paleolítico. A ideia encontra então uma grande resistência, à qual a grande beleza estética das pinturas não é estranha. Continuavam vivos os preconceitos da “bestialidade” do homem pré-histórico.Da “arte pela arte” à “arte mágica”

 É graças à conjugação do amadurecimento das mentalidades e da multiplicação das descobertas de grutas “pintadas” que fica assente, no início do nosso século, que a arte parietal é de cronologia paleolítica. Considerou-se então a arte paleolítica como “arte pela arte”, ou seja, tendo uma função puramente estética. Recorrendo à Antropologia e ao comparativismo etnográfico, certos autores dão uma nova dimensão à arte paleolítica: a função ritual e mágica, da qual a arte seria o vestígio material. Segundo essa interpretação, o homem representava os animais com que se alimentava, num ritual mágico que tinha por objectivo propiciar a caça e a reprodução dos próprios animais.

Nos anos 60, um investigador francês, André Leroi-Gourhan, revoluciona o conhecimento da arte paleolítica. Analisando estatisticamente a disposição dos motivos na gruta, considerada pela primeira vez como um todo, ele descobre que existe uma organização espacial, quase invariável de uma gruta para outra, dos temas de ornamentação.A gruta é um santuário… mas também existem santuários ao ar livre

 Uma análise temática de cada unidade topográfica da gruta permitiu a Leroi-Gourhan verificar que a temática da arte paleolítica é binária, baseando-se na associação de temas masculinos e femininos. A recorrência dessa associação deixa adivinhar um sistema simbólico complexo, impossível de decifrar actualmente. Ele chega então à conclusão de que a gruta é um autêntico santuário, associado a práticas “religiosas”, das quais a arte paleolítica é o vestígio material.

Fica então com a ideia de que a arte paleolítica era um arte cavernícola.

A descoberta no vale do Côa de centenas, porventura milhares de gravuras, pemite pensar hoje que a arte paleolítica terá tido inicialmente uma maior representação ao ar livre. Mais expostas aos fenómenos naturais de degradação, as figurações ao ar livre estão hoje menos representadas do que as pinturas e gravuras em grutas. Em regiões como o vale do Côa, onde as condições naturais foram mais favoráveis, a regra geral não se aplicou. Por outro lado, a distribuição das gravuras ao longo do rio numa extensão de quase duas dezenas de quilómetros permite-nos pensar que estamos perante um autêntico santuário ao ar livre. A exposição preferencial das gravuras a nascente e a associação dos animais ao rio, sugere uma veneração das águas do rio, que seria sagrado.

Quando é que as gravuras foram feitas ?

Foi muito discutida a atribuição das gravuras do Vale do Côa ao período Paleolítico. É necessário por isso esclarecermos como é que se chegou a esta conclusão. O Paleolítico superior ou “Idade da Rena” é o período que se estende desde cerca de 38 000 a. C. até 9 000 a. C., em que o Homo sapiens sapiens, o nosso semelhante, apareceu na Europa. Dentro desse longo período distinguem-se várias culturas, identificáveis pelos vestígios materiais que deixaram. A cultura Chatelperronense acaba por volta de 28 000 a. C., momento quando começa o Gravetense, que dura até cerca de 18 000 a. C. A esse momento acaba também a cultura Aurignacense, que começa por volta de 32 000 a.C.. A Solutrense situa-se entre 18 000 a. C. e 15 000 a.C. e a Magdalenense dura de 15 000 a. C. a 9 000 a. C. As gravuras mais antigas conhecidas no vale do Côa (até Março de 95) eram identificáveis com o Solutrense médio antigo, ou seja, teriam sido feitas há mais ou menos 20 000 anos.A datação por métodos estilísticos

 

Baseando-se em parâmetros estilísticos e estratigráficos, André Leroi Gourhan elaborou, nos anos 60, uma cronologia dos diferentes estilos da arte paleolítica. Há poucos anos atrás, a sua classificação foi, de um modo geral, confirmada pela datação directa de pinturas das grutas, através da análise química dos pigmentos negros das pinturas de origem orgânica (como o carvão de madeira). Ora, as gravuras mais antigas do vale do Côa numa primeira análise integram-se no estilo II de Leroi-Gourhan, que ele data do Solutrense Médio Antigo.Em meados de 1995, a EDP encomendou datações directas, pelo métodos Cloro 36 e de micro-erosão, aos cientistas Robert Bednarik, Alan Watchmann, Ronald Dorn e Fred Phillips, assim como a dois laboratórios americanos: Lawrence Livermore e Beta Analitic.Os resultados forneceram datações divergentes entre si, quase todas pós-paleolíticas, o que levou a pôr em causa que as gravuras do vale do Côa tivessem realmente sidos realizadas no Paleolítico.Os limites dos métodos “exactos” Essas datações foram no entanto rapidamente criticadas pelos arqueólogos e por A. Monge Soares, do Laboratório de Isótopos Ambientais do Instituto Tecnológico e Nuclear. Segundo ele, Bednarik, que utiliza o método de micro-erosão, não calibrou os parâmetros localmente. Quanto às datações obtidas por A. Watchman e R. Dorn, Monge Soares argumentou que só permitem afirmar que as gravuras são anteriores às datas que eles obtiveram. Essa crítica encontrou eco no Congresso Internacional de Arte Rupestre que decorreu em meados do ano de 1995 em Turin, onde os especialistas confirmaram a atribuição da arte do Côa ao período Paleolítico. Os métodos utilizados por esses cientistas ainda estão na pré-história da sua utilização, e só a longo prazo se tornarão fiáveis. Hoje em dia, o único método de datação capaz de fornecer resultados fiáveis, será o método radiocarbono, utilizado há várias décadas, mas que, em contrapartida, não permite a datação directa das gravuras, a não ser que elas tenham sido cobertas, imediatamente após a sua feitura, por pigmentos com matéria orgânica. A sua aplicação implica um programa coerente de escavações arqueológicas em locais de habitat ou junto aos painéis gravados, que permitirá, com certeza, a descoberta de restos de matéria orgânica, condição sine qua non para datação por este método. O projecto da barragem no vale do Côa, estando hoje definitivamente cancelado, permitirá a aplicação desse método.O autor agradece a Domingos J. Cruz e Joaquim R. Carvalho, pela sua leitura do texto e sugestões.
 
   
   

SABUGAL

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 06/12/2010

Castelo do Sabugal

      http://web.cm-sabugal.pt/

Sabugal

O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento populacional, pelo rigor do seu clima.      Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada, artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro), cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.

      A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.

As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo (Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho (Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais circulares e rectangulares.      Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua cronologia é bastante recuada.

      São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários. Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a enorme aculturação romana da população indígena local.

Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos, visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).      Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

      Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península, procurando novas terras.

      Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.

      Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais (cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente um dos centros populacionais mais importantes da região.

Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul, retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal leonês.      Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de fronteira com Leão.

      Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.

      O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recém-criados: a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.

      D. Dinis Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que, praticamente, se manterá até aos nossos dias.

      A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.

      No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre as duas coroas.

      Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca, uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos, datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.Castelo

      O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).

      Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.

      Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.

      No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos seus bens e habitantes.Castelo

      Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias, comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha, mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa região.

Fonte: Camara Municipal do Sabugal

LINHARES DA BEIRA

Posted in Aldeias Históricas de Portugal by Manuel Coimbra on 05/12/2010
Castelo de Linhares da Beira
Casa do Judeu

        Antecedentes

Embora sejam escassas as informações acerca da primitiva ocupação humana deste sítio, alguns autores atribuem a fundação da povoação aos Túrdulos, que aqui se teriam fixado por volta de 850 a.C..

Após a Invasão romana da Península Ibérica, este povoado tornou-se vizinho a uma estrada romana, que ligava Conimbriga ao nó viário da Guarda. Esse fato teria atribuído valor à povoação, sucessivamente ocupada por Visigodos e Muçulmanos. Estes últimos aqui teriam erguido uma fortificação, recordando-se uma antiga tradição local que referia que as gentes de Linhares teriam destruído um castelo mouro cujo senhor se denominava Zurar. Deste nome teria derivado o topônimo Azurara, primitiva denominação de Mangualde.

                                       O castelo medieval

Castelo de Linhares, Portugal: pátio e Torre de Menagem.

A facilidade de comunicação viária não terá deixado Linhares alheia aos eventos da Reconquista cristã da península. Alguns autores questionam se a Linhares mencionada entre outras povoações na concessão de um foral sem data, pelo rei Fernando Magno de Leão, seria esta povoação na Beira, ou a homónima, no Douro.

Com a independência de Portugal, D. Afonso Henriques, visando promover o seu povoamento e defesa, lhe concedeu foral em 1169. Esse privilégio seria confirmado em 1217 por D. Afonso II.

A primeira referência histórica ao castelo data de algum momento dos três primeiros anos do reinado de D. Sancho I (final do século XII), ligada a uma invasão daquele trecho da fronteira por forças do reino de Leão. Eram alcaides do Castelo de Linhares e do Castelo de Celorico da Beira respectivamente os irmãos Rodrigo e Gonçalo Mendes. Encontrando-se este último cercado em Celorico pelo invasor, acorreu Rodrigo com as gentes de Celorico em auxílio do irmão, logrando vitória sob a invocação de Nossa Senhora dos Açores, em devoção a quem se ergueu uma Capela a meio caminho entre ambas as localidades, e se faz, anualmente, uma romaria a 3 de Maio.

Embora se desconheça a primitiva configuração deste castelo, acredita-se que tenha apresentado traços do estilo românico, com a torre de menagem isolada no interior da praça de armas e cerca envolvente adaptada ao terreno. No reinado de D. Afonso III, nas Inquirições de 1258, menciona-se que os moradores de Sátão eram obrigados à anúduva (auxílio na reparação de estruturas militares) nos castelos da Guarda e de Linhares, o que demonstra, a par da importância estratégica deste último no quadro defensivo do reino à época, que lhe estavam sendo procedidas obras.

Sob o reinado de D. Dinis, do mesmo modo que em parte expressiva das fortificações portuguesas no período, uma nova campanha de obras teve lugar em Linhares. Este soberano doou os domínios da vila e seu castelo a seu filho, Fernão Sanches.

A povoação e seu castelo estiveram envolvidas na segunda guerra que D. Fernando moveu contra Henrique de Castela, tendo sido cercada e tomada pelas forças deste quando, invadindo Portugal pela Beira, no início de 1373, marcharam de Almeida para Viseu, e daqui sobre Lisboa. Com o falecimento de D. Fernando, ao se abrir a crise de 1383-1385, o alcaide de Linhares, Martim Afonso de Melo, tomou o partido de D. Beatriz e de João I de Castela, como de resto o fez grande parte da principal nobreza portuguesa. Vindo a cair sob o domínio do Mestre de Avis, este entregou o senhorio da vila a Egas Coelho, fidalgo de sua confiança (14 de Agosto de 1384), logo sucedido por Martim Vasques da Cunha que se iria destacar, à frente das gentes de Linhares, na batalha de Trancoso, na Primavera de 1385.

Com a paz, o castelo perdeu a sua função estratégica, dele não existindo notícias até ao século XVII, quando foi instalado o relógio público na sua torre.

                               Do século XX aos nossos dias

Em avançado estágio de degradação, o castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 17 de Junho de 1922, vindo a intervenção do poder público a se materializar a partir da década de 1940, através da ação da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), estendendo-se pela década seguinte. Os trabalhos procedidos à época ressentiram-se da pesquisa arqueológica preliminar, tendo sido removido entulho de seu interior e reconstruídos os panos de muralha, particularmente toda a cerca a norte do recinto inferior. Com relação às torres, procedeu-se à reconstrução de seu interior, o coroamento com merlões e a reconstrução das coberturas, com telhado de quatro águas.

Em uma campanha mais recente, renovaram-se as escadarias metálicas, protegeu-se a parte interna do adarve com guardas e renovou-se a organização interna das torres.

                                 Características

Na cota de 820 metros acima do nível do mar, o castelo apresenta planta irregular orgânica (adaptada ao terreno), em estilo românico e gótico, distribuída por dois recintos muralhados em aparelho de granito, desnivelados: a oeste, na cota mais elevada, o da alcáçova, com planta aproximadamente triangular, compreende a praça de armas, dominada pela torre de menagem; a leste, em cota inferior, com planta aproximadamente trapezoidal, o que envolvia a primitiva vila.

Associada à cerca, aproximadamente a meio entre os dois recintos, defendendo a porta da alcáçova, ergue-se a torre de menagem, de feição dionisina. De planta retangular, divide-se internamente em três pavimentos, com porta de acesso ao nível do segundo, e balcões com matacães abertos ao nível do último pavimento.

No lado oposto, ergue-se uma segunda torre, de menores dimensões, também de planta retangular, onde, no século XVII se instalou o relógio que a denomina atualmente.

Na alcáçova abriam-se duas cisternas quadrangulares, identificando-se ainda os restos do que se acredita ter sido o paço dos alcaides. O acesso era feito por três portas, duas das quais comunicando com o exterior e a vila e a terceira, a chamada porta da traição, rasgada nos muros a oeste da alcáçova. Uma quarta, em arco apontado, prove a comunicação entre os recintos.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

aldeiashistoricasdeportugal.com

FRANCISCO ASSIS, SIM! JUSTIÇA FISCAL? NÃO, OBRIGADO!

Posted in Política e Sociedade: Artigos de Opinião by Manuel Coimbra on 05/12/2010

            Os deputados do  Partido Socialista, apoiados pelos do PSD, que inviabilizaram na Assembleia da República o projecto do PCP, apoiado pelo Bloco de Esquerda, de tributação fiscal sobre os lucros das empresas participadas pelo Estado (com o dinheiro dos contribuintes), perante a antecipação dessas empresas em quererem distribuir os lucros antes de Janeiro de 2011, evitando assim a tributação adicional prevista no Orçamento de Estado para esse ano, mostraram mais uma vez aos portugueses que põem os interesses partidários dos seus “boys” e “girls” e os interesses dos vários lobbies financeiros e económicos à frente dos interesses nacionais e de princípios políticos e éticos, como a justiça, a solidariedade (para com os mais desfavorecidos) e a igualdade.

            E o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, pela posição que assumiu – fez chantagem com os deputados do seu partido ao afirmar que se demitia, se o projecto apresentado fosse viabilizado – revelou defender interesses que não se compatibilizam com o interesse nacional, nem com os princípios políticos e éticos que qualquer político honesto deve ter. Mostrou, isso sim, a mediocridade, a corrupção e a falta de ética social e política que caracterizam os políticos que têm governado o nosso país.

            Este tipo de atitudes só mostra a irresponsabilidade deste político e dos seus “carneiros” seguidores. Ora um dos maiores perigos para a soberania de um país e para uma sociedade que se quer verdadeiramente democrática é ter gente desta laia, irresponsável, a governá-lo!

            É revoltante vermos que há famílias que perderam o abono de família dos seus filhos, por causa dos cortes impostos pelo PEC, enquanto que há accionistas que estão a ser beneficiados com os lucros de empresas, que são também financiadas pelos contribuintes, sem terem de pagar impostos sobre os mesmos, como no caso da PT – Portugal Telecom, entre outros.

            É preciso que os portugueses escorrassem esta geração de políticos, que tanto mal têm feito ao país, das cadeiras do poder, pois só com gente honesta e justa a governar é que conseguiremos todos viver melhor e mais felizes!

 Manuel Coimbra

Tagged with:

A REDUÇÃO SALARIAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA VIOLA O CÓDIGO DO TRABALHO E É INCONSTITUCIONAL

Posted in Política e Sociedade: Artigos de Opinião by Manuel Coimbra on 05/12/2010

         O corte nos salários dos funcionários públicos, incluído no Orçamento de Estado e aprovado pelo governo do PS e pelo PSD, está ferido do inconstitucionalidade e viola o Código do Trabalho, “desrespeitando, nomeadamente, a Lei n.º 12-A/2008, de 27/2, (que aprovou o regime de vínculos e carreiras na Administração Pública) e a Lei n.º 59/2008, de 11/9, (que aprovou o Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, a partir de agora designado por RCTFP), pelo que a grande maioria dos então trabalhadores da Administração Pública transitou, a partir de 1/1/09, para o referido regime de contrato de trabalho, por força das disposições conjugadas dos art.ºs 3.º, 117.º e 118.º da Lei n.º 12-A/2008 e dos art.ºs 3.º, 17.º e 23.º da Lei n.º 59/2008.

Ora, nos termos da alínea d) do art. 89.º do citado RCTFP – moldado em larguíssima medida no Código de Trabalho aprovado pela Lei n.º 99/2003, de 27/8, e na respectiva“ Regulamentação”, por seu turno aprovada pela Lei n.º 35/2004, de 29/7 – e aliás em consonância com o disposto no art. 122.º al. d) do citado Código de Trabalho de 2003 e agora no art. 129.º n.º 1, al. d) do mesmo Código, com a versão e a redacção introduzidas pela Lei n.º 7/2009, de 12/2 – está expressamente estipulado que “é proibido à entidade empregadora pública (…) baixar a remuneração do trabalhador, excepto nos casos especialmente previstos neste Código”, sendo certo que em parte alguma do mesmo se prevê a hipótese de abaixamento unilateral e generalizado das remunerações dos trabalhadores da Administração Pública sujeitos ao regime do RCTFP, ainda que sob a invocação do alegado “interesse público” ou da invocada “necessidade excepcional” de compressão de custos. Tal como hipótese similar em parte alguma do Código do Trabalho é ali prevista para os trabalhadores cujas relações de trabalho se encontram sujeitas ao respectivo regime.

Ora, uma redução média de 5% (podendo ir de 3,5% a 10%, ou mesmo mais, para determinadas categorias) do montante remuneratório de cada um dos trabalhadores da Administração Pública constitui, inequivocamente, uma efectiva e significativa redução da remuneração por aqueles auferida.

Sucede que o direito ao salário constitui um direito consagrado na Constituição, mais exactamente no seu art.º 59.º, n.º 1, al. a), direito esse que com as normas da Lei do Orçamento do Estado aqui em causa seria restringido, senão mesmo (parcialmente) suspenso. Porém, nos termos do art.º 18.º, n.º 2 da Lei Fundamental, a lei ordinária “só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos constitucionalmente protegidos” e, por força do estatuído no art.º 19.º, n.º 1, os órgãos de soberania, designadamente o  Governo e/ou a Assembleia da República, não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos mesmos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de emergência, e sempre e só desde que estes sejam declarados na forma prevista na mesma Constituição.

Não se verificando qualquer dessas situações, manifesto é que a suspensão ou restrição do constitucional direito ao salário dos trabalhadores da Administração Pública, determinada pelas normas aqui em causa, fere-as, também por esta via, de incontornável inconstitucionalidade material, agora por violação dos preceitos dos supra-citados arts. 18.º, n.º 2 e 19.º, n.º 1 da Constituição.

Por fim, a redução unilateral das remunerações dos trabalhadores da Administração Pública, mantendo-se – e bem – para os trabalhadores do regime laboral privado a garantia da irredutibilidade / intangibilidade das respectivas retribuições, e dado não existir nenhum fundamento juridicamente válido para impor aos primeiros menos garantias ou direitos do que aqueles que são reconhecidos aos segundos, uns e outros com igual dignidade social, constitui igualmente uma diferenciação que assim se revela de todo infundada, ou seja, discriminatória e, logo, violadora também do basilar princípio da igualdade, consagrado no art. 13.º da Lei Fundamental, já que, e usando os dizeres do conhecido Parecer n.º 16/92, da Procuradoria Geral da República, aquela diferença de regimes “não encontra, no plano dos limites em que o legislador se há-de mover, justificação material razoável, susceptível de suportar tratamento legislativo diverso” (no mesmo sentido, ver entre inúmeros outros, o Acórdão do TC n.º 289/05, de 14/10).” (segundo parecer de Garcia Pereira e Associados).

Assim sendo, deverão os trabalhadores da Administração Pública recorrer a todos os meios legais ao seu dispor, apoiados pelos seus sindicatos, para fazerem cumprir a Constituição da República Portuguesa e o Código do Trabalho.

Não posso deixar de manifestar o meu repúdio pela prepotência e pelo desrespeito à Lei perpetrados pelo Governo do PS e pelo PSD (que o apoiou), devendo os Portugueses penalizar fortemente estes dois partidos, pelas suas posturas políticas e governativas, que denotam falta de sentido de justiça social.

 Manuel Coimbra

OTAN: MÁQUINA DE GUERRA AO SERVIÇO DOS EUA

Posted in Política e Sociedade: Artigos de Opinião by Manuel Coimbra on 05/12/2010

            A Organização do Tratado do Atlântico Norte surgiu no rescaldo da 2ª Guerra Mundial com o intuito principal de proteger pessoas e bens (conceito estratégico inicial desta organização), mas que na realidade escondia o receio do poder militar da União Soviética e da ideologia dita comunista, com a qual teve confrontos diplomáticos e estratégicos que tiveram o seu auge na crise dos mísseis soviéticos colocados em Cuba durante a presidência de John Kennedy. Enquanto o Pacto de Varsóvia durou, poderia ainda haver alguma justificação ideológica e política para a existência da OTAN, como forma de equilíbrio de forças entre os dois blocos militares. Actualmente, visto que o Bloco de Leste se desmoronou, não existe qualquer razão válida para esta instituição continuar a existir.

            A OTAN é actualmente uma organização bélica sem sentido, que se limita a defender os interesses estrategico-militares e económicos dos Estados Unidos da América, e dos países a eles subservientes, em qualquer parte do Mundo.

            Segundo o que li, a Cimeira da OTAN em Lisboa veio propor um novo conceito estratégico: o de defender um modo de vida. Que modo de vida é que se pretende proteger?

Com certeza, aquele que se vive actualmente: o da exploração do homem pelo homem, o do capitalismo financeiro, o mercado livre de capitais, , que sem qualquer regulamentação do Estado, dá lucros fabulosos a alguns e escraviza milhões de pessoas, provocando crises, como a que estamos a viver, que sacrificam os povos e os atiram para a pobreza, de um dia para o outro. Propõem defender um sistema injusto e imoral, que só se preocupa com a ganância e a globalização (disseminação de um modelo económico, social e cultural de índole anglo-saxónica). 

Esta organização manifesta também a intenção de passar de uma postura defensiva a uma atitude proactiva, isto é, deixar de intervir só em autodefesa e, se achar necessário,. fazer a guerra contra quem quer que seja, claro está, para defender o tal modo de vida.

E  já vimos como é que os governos dos EUA reagem quando têm conflitos de interesses ou de ideologias: invadem, fundamentando-se em mentiras (o caso do Iraque), derrubam governos e montam ditaduras (a ditadura de Pinochet no Chile), desrespeitam os direitos humanos,  quando lhes convém. E ironicamente afirmam ser acérrimos defensores dos direitos humanos. Espanta-me ver a Europa ajoelhada perante tão perfidioso parceiro!

Os líderes europeus actuais, a começar por Durão Barroso, que é responsável moral pela morte de centenas de milhares de seres humanos no Iraque, ao ter apoiado a invasão deste país pelo exército americano durante o governo de G. Bush, são lacaios dos interesses americanos e estão a pactuar com a destruição da União Europeia, tão distante que está, neste momento, dos ideais de Jean Monnet! Não vivemos numa Europa dos cidadãos, pluricultural, solidária e defensora dos grandes ideais da Humanidade, mas numa Europa deturpada e corrompida por esse modo de vida que a OTAN se propõe eternizar!

 Manuel Coimbra

Tagged with: , ,