PENSAR COM OS MEUS BOTÕES

AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA

Posted in Política e Sociedade: Artigos de Opinião by Manuel Coimbra on 21/03/2011

            Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República em 23 de Janeiro de 2011, com cerca de 2.580.000 votos. Do seu discurso de vitória retive a sua afirmação de que era presidente de todos os portugueses e a saudação ao mundo empresarial e financeiro.

            Ora, na verdade, ele matematicamente, e a matemática é uma ciência exacta, só é presidente de ¼  dos portugueses. Os restantes ¾ não lhe confiaram o seu voto, votaram contra ou abstiveram-se (a elevada abstenção revela o descrédito dos portugueses na política praticada pelos nossos governantes, actuais e passados). A saudação que dirigiu ao mundo empresarial e financeiro inclui, com certeza, o seu grande amigo e seu ex- Conselheiro de Estado Dias Loureiro, que era um dos administradores do banco BPN, que abriu falência por negócios fraudulentos.

            Do seu discurso de posse proferido a 9 de Março de 2011, na Assembleia da República, retive também várias afirmações de Cavaco Silva, que significam o seguinte:

– que a actual crise económica e social de Portugal se deve somente à política governativa do Partido Socialista durante os XVII e XVIII Governos Constitucionais liderados por José Sócrates (que começou a governar em 12 de Março de 2005); só quem tiver memória curta ou estiver mal informado é que ignora os dez anos de governo de Cavaco Silva (desde 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995), período em que Dias Loureiro foi seu ministro da Administração Interna e fundou o BPN (1993) que, com a sua falência fraudulenta, consumiu recentemente milhares de milhões de euros do erário público, contribuindo para o agravamento da nossa dívida; foi também durante os seus governos que a CEE, actual UE, a que aderimos em 1986, começou a enviar ajudas financeiras para se investir no desenvolvimento do país, parte das quais foram desperdiçadas em projectos subsidiados, muitos deles não concretizados, porque os seus governos PSD e PSD/CDS não fiscalizaram a efectiva implementação desses projectos, nem responsabilizaram quem praticou esses actos fraudulentos e foi também um período em que não existiu um eficaz controlo de IRS e IRC, tendo havido mesmo empresários que descontavam aos seus empregados impostos para a Segurança Social e IRS e não os entregavam ao Estado, pondo em risco as reformas dos trabalhadores, contribuindo para a quase falência da Segurança Social (evitada no primeiro governo de José Sócrates, através de um maior controlo das empresas) e empobrecendo os cofres do Estado;

– que deve haver menos Estado, mais privatizações, menos carga fiscal e menos controle sobre as empresas; esta atitude neoliberal é para favorecer os grandes grupos financeiros, propiciando a fuga de capitais,  e económicos e privatizar o que dá lucro, mantendo o que dá despesa para o Estado.

            O seu discurso, para não me alongar demasiado a analisar outras afirmações, foi o do tipo de pessoa que gosta de “sacudir a água do capote”, de pessoa que dissimula e não assume as suas responsabilidades. Foi um discurso tendencioso, pró-PSD/CDS, hipócrita, demagógico  e indigno de um Presidente da República, pois Cavaco Silva, ao ser o político que mais tempo tem permanecido à frente dos destinos do país, como Primeiro-Ministro e como Presidente da República, é um dos principais responsáveis pelo actual estado da Nação.

Não é preciso saber muito de História para se compreender que a situação socioeconómica actual de um país é consequência de atitudes, mentalidades e políticas assumidas ao longo de muitos anos.

 Os jovens portugueses que se cuidem, pois a concepção da economia e da sociedade deste Presidente da República é a da manutenção de um sistema que se serve da inteligência e do trabalho pagando baixos salários, despedindo com mais facilidade e fomentando o trabalho precário.

            E quem é o jovem rosto que quer concretizar este modelo de vida? Pedro Passos Coelho! Basta ler o programa de governo do seu partido e as alterações que quer introduzir na Constituição e nas leis laborais!

 Manuel Coimbra