PENSAR COM OS MEUS BOTÕES

VAMOS PÔR OS PONTOS NOS IS

 

            A crise nacional, atrelada à internacional, face às consequências profundamente negativas que ela está a ter na vida dos portugueses, leva as pessoas a reflectir sobre as causas do que se está a passar em Portugal, a criticar o que acham que está errado e a propor soluções para os problemas, porque anseiam por um país mais justo e mais feliz, onde os mais pobres possam ter uma vida bem melhor.

            Assim, aqui dou a minha opinião e algumas sugestões, porque me parece que as partilho com muita gente por esse país fora. Vou então pôr alguns pontos nos is:

            • a democracia representativa, não só em Portugal, mas também na Europa e nos Estados Unidos, está minada pela corrupção dos governantes, que estão ao serviço não dos povos, mas dos mais poderosos e influentes, pelo que é urgente repensar-se este modelo político e criar-se a democracia participativa na qual a Constituição  deverá permitir o acesso ao parlamento de cidadãos independentes que tenham como missão ética e política governar efectivamente, com justiça, para os povos e abrir canais de comunicação directa com os cidadãos, podendo assim estes manifestar as suas necessidades e propor soluções para o seu país;

            • caso se venha a reduzir o número de autarquias, essa redução deverá incidir nos concelhos do litoral do país, pois os concelhos do interior têm aldeias com difíceis acessos e poucos transportes públicos o que dificultaria muito o contacto das populações, muitas delas envelhecidas, com as juntas de freguesia ou com as câmaras municipais dos seus concelhos, atirando-as para um ainda maior isolamento;

            • a regionalização deverá ser implementada para se acabar com as assimetrias regionais e os centros de decisão e de administração pública estarem mais próximos das  necessidades das populações locais;

            • a corrupção que tem minado os governos e inviabilizado uma justa governação  tem que ser combatida por meio de alterações legislativas que acabem com a imunidade parlamentar dos deputados, de modo a que qualquer um deles que ponha o seu interesse pessoal, ou o de grupos empresariais ou financeiros, à frente das necessidades do país, seja responsabilizado por crime contra a Nação e punido com indemnizações ao Estado e efectiva pena de prisão;

            • é fundamental regulamentar e supervisionar eficazmente (pelo Banco de Portugal) o sector bancário, para se prevenirem as falências fraudulentas (o caso BPN custou 5 mil milhões de euros aos portugueses; e gostaríamos de ver todos os responsáveis a serem punidos exemplarmente), as fugas de lucros para paraísos fiscais e a “lavagem” de dinheiro;

            • a privatização de empresas públicas, como a Caixa Geral de Depósitos, a EDP ou a Águas de Portugal, vai empobrecer mais o país, pois os investimentos já feitos e os lucros futuros ficarão nas mãos dos investidores privados, e não está provado que uma gestão privada seja mais lucrativa do que uma gestão pública (lembremos as gestões danosas do BPN e do BPP, por exemplo), segundo afirmam vários economistas;

            • há tempos, Pedro Passos Coelho, o guru neoliberal das privatizações, disse que ainda não era o momento de ele “meter a mão no pote” (quer dizer, de ele ir para o governo), mas pelos vistos está agora, com a ajuda do Presidente da República, a querer “meter a mão”, só que o pote está cheio de corrupção e de desgoverno do país e se ele lá chegar, o “pote” pode transbordar e os portugueses correm o risco de não aguentarem o fedor nauseabundo.

            • Vítor Constâncio disse, há dias, lá do seu etéreo assento no Banco Central Europeu, que Portugal devia tentar pagar a dívida o mais rápido possível, só que quando foi governador do Banco de Portugal não conseguiu evitar as falências fraudulentas do BPN e do BPP, as fugas de capitais para offshores, nem as “lavagens” de dinheiro, o que contribuiu para o aumento da nossa dívida. É um caso ilustrativo da máxima “Vícios privados, públicas virtudes”;  

            • Portugal devia exigir uma auditoria internacional à sua dívida pública, seguindo os exemplos do Equador e da Bolívia, que pagaram muito menos do que lhes era inicialmente exigido (a Bolívia reduziu-a de cerca de 50 mil para 17 mil milhões de dólares, pois naquele valor estavam incluídos juros fictícios fruto da especulação das agências de notação internacionais);

 

            • se Portugal virar à direita, possibilitando um governo PSD/CDS, vai reforçar a direita europeia, já instalada em vários países da União Europeia, e permitir a continuidade desta política capitalista neoliberal que só tem favorecido os grandes grupos financeiros e empresariais e sacrificado os países-membros economicamente mais débeis como Portugal, Grécia e Irlanda;

            • a EU também é responsável pela menor produtividade de Portugal, pois seduziu-nos a destruir a nossa frota pesqueira, mediante compensações monetárias, quando a devia ter apoiado a fortalecer-se, e impôs limites à nossa produção agrícola, devendo, portanto, assumir a sua responsabilidade na nossa dívida externa.

 Manuel Coimbra

 

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